Guia de orientações para cuidadores de pessoas com Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é uma afecção de origem neurológica, progressiva e não tem cura. Os sintomas podem evoluir de forma variável: para algumas pessoas, isso acontece de forma mais lenta; para outras, mais rapidamente. De forma geral, as manifestações mais conhecidas são o tremor, a lentidão e a rigidez dos movimentos. Por se tratar de uma doença com acometimento muscular, encontramos também prejuízos na musculatura participante da fala e da deglutição, resultando em voz fraca e engasgos/tosse, respectivamente. A intervenção fonoterápica consiste em orientações e exercícios para atenuação dos sintomas. Para que se obtenha uma melhor resposta, é fundamental o papel do cuidador nesse processo, por se tratar da pessoa que acompanha diariamente o paciente.
Quando o cuidador é bem orientado e atento, são possíveis, na maioria dos casos, a prevenção de engasgos e a melhora da comunicação. Seguem DICAS IMPORTANTES para prevenção de engasgos/tosse, que podem levar à broncoaspiração de alimento:

– Se estiver com medicação, a alimentação deve ser oferecida na hora de maior efeito do remédio, chamado de efeito on. Caso não tenha essa observação, levar em consideração o quadro de alerta do indivíduo, É PRECISO ESTAR BEM ACORDADO!

– A posição do tronco e da cabeça também merece atenção. Alimentar-se bem sentado, com a cabeça reta (acompanhando o ombro). Nunca a cabeça deve ficar para trás, pois isso facilita que o alimento se desloque até o pulmão.

– Se houver presença de tosse ou engasgos para líquidos, há no mercado espessantes para deixar os líquidos mais grossos e a ingestão ser mais segura. A consistência a ser espessada deve ser orientada pelo fonoaudiólogo que acompanha o indivíduo.

– No caso daqueles que apresentam prejuízo com a alimentação mais sólida, mais seca, é necessário adaptar a alimentação como se fosse para um “bebê na fase de introdução alimentar”: tudo mais cozido, em consistência de “papa” e acompanhado de um purê.

– Se mesmo assim houver dificuldade, é o momento de alimentação ser liquidificada e ser oferecida homogênea, sem resíduos!

– Uma alteração muito frequente na alimentação do parkinsoniano é a estase (alimento parado na garganta). Em virtude da reduzida sensibilidade laríngea desses pacientes, muitos não apresentam essa queixa, o que, portanto, não significa que esteja tudo bem. Esse tipo de alteração é mais bem avaliada por meio de um exame conhecido como videoendoscopia da deglutição. Nele, quando se observa alimento parado, o fonoaudiólogo avalia na hora o tipo de manobra a ser empregada para cada alteração. Uma orientação para situações mais simples é a alternância de consistências ou seja, tomar líquido a cada deglutição de alimento.

–  Após a alimentação, por segurança, solicitar que o paciente faça um pigarro e engula em seguida.

– O paciente só deve deitar-se 1 hora após a refeição, para evitar refluxo gastroesofagico.

– Higienizar a boca após as refeições para evitar risco de aspiração por estase (alimento parado na boca).

– Por fim, com relação à comunicação: conversar sempre de frente para o indivíduo, com frases objetivas e boa articulação (mexendo bem a boca). Para o parkinsoniano, existem alguns exercícios especificos para cada alteração vocal. Um método bem utilizado tem sido o Lee Silverman (aplicado pelo fonoaudiólogo). O cuidador deve cobrar do paciente que ele fale alto, podendo conduzir leituras de textos, contagem, conversas e incentivá-lo a cantar músicas. Vale qualquer atividade que estimule a fala!

Apoio:

Fga. Elisângela Zacanti Garcia
Especialista em Disfagia Neurogênica – Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP
Mestre em Distúrbios da Comunicação Humana – Universidade Federal de São Paulo
Estágio em Voz e Disfagia – Johns Hopkins Hospital (EUA)
Certificada pelo Método Lee Silverman Voice Therapy – LSVT