Diferença entre Parkinson e Alzheimer

Para o leigo, informações técnicas, sejam elas sobre astronomia ou mecânica de automóveis, podem soar como línguas estrangeiras intangíveis. A medicina obviamente não foge dessa regra, contando com o agravante de que essa área usa frequentemente nomes próprios (epônimos) para designar sintomas e principalmente doenças.

Na neurologia, um exemplo típico é a confusão entre as doenças de Alzheimer e de Parkinson, duas entidades que, em realidade, têm manifestações e evolução bem diferentes.

Diferenças dos sintomas

A doença de Alzheimer classicamente afeta a cognição, em especial a memória recente. Os sintomas tendem a progredir levando a mudanças de personalidade, limitações da capacidade de realizar tarefas mais complexas, reconhecer objetos e pessoas, e de manejar o funcionamento da própria vida de forma autônoma. Esse conjunto de sintomas recebe o nome genérico de demência. Assim, faz sentido dizer que a doença de Alzheimer tem na demência a sua principal característica. Alguns pacientes com doença de Alzheimer podem perder a mobilidade, mas isso tende a ocorrer em fases bem avançadas.

Já a doença de Parkinson tem como principais características clínicas as dificuldades de movimento. Isso manifesta-se com lentidão de movimentos associada a um ou mais dos seguintes sintomas: tremor, rigidez muscular e dificuldades de equilíbrio. A ocorrência de demência na doença de Parkinson ocorre em um terço dos casos, especialmente quando a doença está em suas fases mais avançadas.

Diferenças na incidência

A confusão que muitos fazem entre estas duas doenças, porém, não vem por acaso: ambas são enfermidades neurodegenerativas, progressivas, que ocorrem mais comumente numa faixa etária mais avançada e que tem tratamento complexo. Por outro lado, mesmo essas aparentes similaridades genéricas são distintas quando olhadas mais de perto.

A doença de Alzheimer ocorre quase que exclusivamente em idades mais avançadas, é incomum na faixa dos 60 anos, e menos de 5% dos casos tem idade abaixo de 65 anos no momento do diagnóstico. A doença de Parkinson ocorre em indivíduos mais jovens, na média 60 anos, porém um em cada 5 casos recebe o diagnóstico com idades abaixo dos 45 anos de idade e 1% com idade abaixo de 35 anos.

Diferenças na causa e anatomia

Apesar de ambas serem doenças degenerativas de causa ainda desconhecida, os processos e locais principais de degeneração também são bem distintos: na doença de Alzheimer o processo ocorre inicialmente nas camadas mais superficiais (córtex) da região temporal do cérebro, responsável pela aquisição de informações novas. No exame microscópico desta parte do cérebro em indivíduos afetados detectam-se agrupamentos de proteínas especificas (peptídeo amiloide e proteína Tau).

Na doença de Parkinson, o processo ocorre no tronco cerebral inicialmente, mais precisamente numa área chamada substancia negra que é responsável pela modulação de movimentos. Nela também encontramos agrupamentos de proteínas sendo que a mais abundante é chamada alfa sinucleina. Do ponto de vista bioquímico, na doença de Parkinson é clássica a descrição de falta do neurotransmissor dopamina, enquanto que na doença de Alzheimer o déficit é na regulação da produção de acetilcolina e possivelmente glutamato.

Diferenças no tratamento

Finalmente, o tratamento, apesar de visar o controle de sintomas e não a cura, é bem diferente em termos de medicamentos que podem ser eficazes ou que devem ser evitados, assim como as opções de intervenções cirúrgicas que hoje atualmente só são comprovadamente seguras de doença de Parkinson.

Busque ajuda

Em resumo, apesar de diversas similaridades, doença de Parkinson e Alzheimer são entidades bem distintas e, mais importante, não representam uma continuidade, isto é, o diagnóstico de uma não indica risco do desenvolvimento da outra.

Se houver dúvidas em relação ao diagnóstico, uma avaliação com um especialista deve ser a prioridade visto que o tratamento é bem distinto, assim como os prognósticos e vários aspectos da progressão destas doenças.

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Apoio
Dr. Renato Puppi Munhoz
Neurologista
CRM-PR 15036 / RQE 10806

*As opiniões expressadas pelos médicos, pesquisadores e especialistas não representam, necessariamente, as opiniões do Parkinson e Eu e da Medtronic. Trate com o seu médico a sua informação para diagnóstico e tratamento. Apenas o seu médico pode determinar qual terapia é ideal para você.