Drs and Patient

COVID-19 e a pessoa com Parkinson

A infecção pelo corona vírus 2 (SARS-CoV-2) resulta em uma doença respiratória aguda, que conhecemos como COVID-19. Se iniciou na China e de forma surpreendente atingiu todo globo, em uma escala nunca antes vista, o que despertou uma grande preocupação na população, incluindo as pessoas com o diagnóstico de doença de Parkinson.

Ficou bem definido que a doença de Parkinson não é fator de risco, mas como se trata de enfermidade bastante heterogênea não existe uma classificação global. Ter Parkinson, por si só, não aumenta o risco de contrair COVID-19 ou, se você se contaminar, de ter uma doença mais grave. No entanto em fases avançadas, pessoas parkinsonianas apresentam diminuição de mobilidade ou problemas de deglutição, o que aumenta o risco de pneumonia e assim, nessas pessoas o risco de contaminação por SARS-CoV-2 também é aumentado.

Outro ponto é, o diagnóstico de doença de Parkinson é mais comum em pessoas acima de 65 anos, que também apresentam mais frequentemente diagnósticos paralelos, como doenças cardíacas ou até obesidade, e essas comorbidades são responsáveis por maior gravidade de uma possível infeção por SARS-CoV-2. 

Por exemplo, se você tem 45 anos e acabou de ser diagnosticado com Parkinson e não tem nenhum outro diagnóstico o seu risco é o mesmo de qualquer pessoa da sua idade que não tenha Parkinson, ou seja “tome cuidados de rotina”. Agora se você é mais velho, está em uma fase mais avançada com movimentação diminuída e tem outras condições, como doenças cardíacas, pulmonares ou renais, você pode precisar tomar mais precauções pois se contaminado pode ter uma doença mais grave, assim “só saia de casa quando realmente necessário”.

Embora não se saiba ainda como o COVID-19 afeta especificamente a pessoa com Parkinson devemos lembrar que qualquer infeção, como de urina, pneumonia ou gripe, pode piorar temporariamente os sintomas parkinsonianos. Assim, uma pessoa com Parkinson que tenha COVID-19 pode apresentar maior dificuldade de movimentação por aumento do período off, por exemplo. Outro ponto é que muitas das medicações utilizadas para tratamento dos sintomas mais comuns na COVID-19, como a tosse, podem ter interação com as medicações antiparkinsonianas e com isso diminuir seu efeito piorando os sintomas do Parkinson em si.

Apoio

Dra. Manuelina Mariana Capellari Macruz Brito – Neurologista
CRM: 138102-SP

Uberlândia comemora aniversário de 1 ano da primeira cirurgia de DBS.

Uberlândia comemora aniversário de um ano da primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda ou DBS.

Nos pacientes indicados, DBS pode oferecer períodos mais longos de alívio dos sintomas motores, como tremores, rigidez e movimentos lentos. Pode também reduzir a frequência e duração dos movimentos involuntários anormais (Discinésia) que ocorrem frequentemente como efeito secundário da medicação. No geral, estes benefícios podem melhorar a qualidade de vida.

Além disso, em alguns casos, se com a DBS for possível alcançar um controle eficaz dos sintomas, você pode reduzir a quantidade de medicação que precisa tomar. Isto pode ser particularmente favorável durante a gravidez.

DBS é reversível, já que o neuroestimulador pode ser desligado a qualquer momento e pode ser removido, se necessário, em uma cirurgia adicional.

Acesse para ler a matéria na íntegra

Apoio: Dr. Bruno Burjaili
Neurocirurgião funcional e Especialista em Dor
CRMs: 15267-ES, 54171-MG, 154105-SP

Cirurgia para Doença de Parkinson: conheça o marca-passo cerebral

A medicina e, em especial, a neurocirurgia andam de mãos dadas com o desenvolvimento tecnológico. Hoje em dia, dispomos de uma infinidade de equipamentos de última geração para a realização de cirurgias cerebrais e da coluna vertebral com a máxima segurança. Nos últimos anos, houve enorme avanço tanto dos métodos de diagnóstico como também de cirurgia para a Doença de Parkinson e demais distúrbios do movimento, tais como o Tremor Essencial e as diversas formas de distonia. Este post discute brevemente dois estudos desenvolvidos no King’s College de Londres que mostram a importância da participação do paciente na decisão sobre qual o melhor tratamento para sua realidade.

Estimulação cerebral profunda

estimulação cerebral profunda, também chamada DBS (do inglês, deep brain stimulation) consiste em uma cirurgia para o implante de um eletrodo em regiões específicas do cérebro, visando o reestabelecimento da função de determinados circuitos cerebrais responsáveis pela coordenação e execução do movimento. O aparelho se assemelha a um marca-passo cardíaco, porém o eletrodo fica alojado no cérebro e não no coração. Impulsos elétricos emitidos por este marca-passo através de um delicado eletrodo reorganizam a transmissão de informação entre os neurônios (células do sistema nervoso).

Dessa forma, durante os meses que se seguem após a cirurgia, é possível ajustar parâmetros de estimulação no consultório médico, buscando o maior benefício possível, com o mínimo de efeitos adversos. Esta é uma modalidade de tratamento já bem estabelecida, com mais de 30 anos, e que ultimamente vem se tornando cada vez mais acessível no Brasil. Tomando como exemplo a Doença de Parkinson, sintomas como a tremedeira e a lentidão dos movimentos melhoram substancialmente após a cirurgia, devolvendo a qualidade de vida dos pacientes.

Existem diversos tipos e marcas de sistemas para estimulação cerebral profunda no mercado. Geralmente pode-se alcançar bons resultados, independente do modelo utilizado para a cirurgia. No entanto, esses equipamentos diferem em alguns aspectos. A bateria, por exemplo, pode variar em tamanho e tipo (recarregável ou não-recarregável), e também quanto à sua funcionalidade e longevidade.

Da mesma maneira que para viajar de ônibus ou avião você não precisa saber exatamente todas as características técnicas destes meios de transporte, não se espera que pacientes tenham que entender em detalhes como um marca-passo cerebral funciona! No entanto, acredito que para uma viagem longa, informações básicas sobre as condições de bordo podem fazer sua experiência como passageiro definitivamente melhor. Pensando nisso, realizamos dois estudos, no King´s College Hospital, em Londres, entre 2016 e 2019.

Bateria recarregável vs. não recarregável

O objetivo do primeiro estudo foi entender fatores que levavam pacientes a escolher entre os modelos de marca-passo recarregável e não-recarregável. As baterias recarregáveis são menores e duram de 15 a 20 anos. No entanto, a desvantagem é a necessidade de ter que recarregá-las com frequência de no mínimo 2 vezes por semana e, portanto, ter que levar o carregador em viagens. No caso das baterias não-recarregáveis, o paciente não precisa se preocupar muito com a manutenção semanal após a cirurgia. No entanto, a vida útil da bateria é menor, geralmente de 3 a 6 anos, sendo necessária uma pequena cirurgia para substitui-la.

No segundo estudo, avaliamos o índice de satisfação dos pacientes após a cirurgia, quanto ao tipo de marca-passo escolhido. Juntos, esses estudos mostraram que aproximadamente 60% dos pacientes optaram pelo tipo de bateria não recarregável. No entanto, quando reavaliados após uma média de 18 meses da cirurgia, observamos que pacientes de ambos os grupos mostraram-se satisfeitos com suas escolhas.

O fato de os pacientes terem sido informados, sobre as vantagens e desvantagens básicas de cada tipo de aparelho e participado ativamente da escolha, contribuiu para uma melhor experiência e satisfação com o tratamento a longo prazo. É claro que seu médico o ajudará na escolha do sistema ideal para o seu caso, no entanto, a opinião do paciente (o maior interessado da história) conta, e muito. Isto porque cada um deve adequar a escolha de acordo com características individuais de estilo de vida e até do contexto habitacional.

Lembro-me de um paciente que optou pelo sistema não recarregável por morar em uma região muito chuvosa e com quedas frequentes de energia. Um outro, vivia em um veleiro! Ambos chegaram à conclusão de que a rotina de ter que recarregar a bateria do marca-passo seria difícil. Por outro lado, outros pacientes acabaram optando pelo sistema recarregável, por julgarem simples de fazê-lo enquanto assistiam televisão e pelo receio de uma nova cirurgia para troca da bateria em alguns anos.

Estes foram os primeiros estudos a colocarem o paciente no centro do processo de avaliação pré-operatória e de escolha do tipo de marca-passo cerebral a ser usado no tratamento de distúrbios do movimento.

O tratamento cirúrgico da Doença de Parkinson, Tremor Essencial e dos demais distúrbios do movimento deve ser realizado por equipe com experiência. Portanto, não se sinta inibido! Pergunte e tire todas as dúvidas com seu médico antes da cirurgia, pois pequenos detalhes podem fazer toda a diferença.

Apoio:

Dr Luciano Furlanetti, MD, PhD, FEBNS

CRM 121.022 | Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) | Membro Titular da Sociedade Alemã de Neurocirurgia (ÄK-DGNC) | Membro Titular da Sociedade Britânica de Neurocirurgia (SBNS)| Doutorado e Pós-Doutorado em Neurocirurgia Funcional – Alemanha/UK | Clinical Fellowship Neurocirurgia Funcional – King’s College Hospital, Londres, Reino Unido | Clinical Fellowship Neuro-oncologia – King’s College Hospital, Londres, Reino Unido

Neuromodulação proporciona melhor qualidade de vida para pacientes com Parkinson

Escrito por Jéssica Mayara, do Estado de Minas Saúde

Sem cura, a doença de Parkinson tende a ser debilitante aos pacientes acometidos pela patologia. Porém, uma nova tecnologia, recentemente implantada no Brasil, promete revolucionar o manejo da doença, proporcionando autonomia e melhor qualidade de vida ao doente.

Trata-se de um dispositivo de neuromodulação. Para além de controlar os sinais da patologia, ele é composto de um sistema de monitoramento contínuo capaz de captar os sinais cerebrais do paciente 24 horas por dia.

Assim, o médico pode acompanhar de forma precisa os sintomas da doença, analisando os resultados e adequando a terapia sem a necessidade de recorrer somente à avaliação clínica ou relatos de impressões pessoais de pacientes ou cuidadores.

Para ter acesso aos dados, o médico só precisa instalar um aplicativo. Todos os eventos são compartilhados em uma espécie de diário digital com a equipe médica, que poderá comparar e identificar tendências e mudanças ao longo do tempo.

Além disso, o dispositivo permite que o paciente seja submetido a ressonâncias magnéticas, um dos principais exames de controle do Parkinson.

“Chamado de DBS (do inglês, Deep Brain Stimulation), esse é um dispositivo implantado cirurgicamente, semelhante a um marcapasso cardíaco, para fornecer estimulação elétrica a áreas precisamente direcionadas do cérebro”, explica o neurocirurgião Murilo Marinho, especialista em distúrbio do movimento.

De maneira simplificada, Murilo Marinho elucida que, além de atenuar os sintomas da doença, as informações disponíveis pelo monitoramento cerebral podem ser usadas para rastrear o estado do paciente ao longo do dia e, por meio de programação expandida, permitir um controle mais preciso da terapia, mesmo a distância. Para além do Parkinson, o dispositivo pode ser um bom tratamento auxiliar para outros distúrbios neurológicos.

Em comparação com o tratamento tradicional – medicamentoso –, Murilo Marinho pontua que o uso da técnica de neuromodulação é benéfico, haja vista que, apesar de sucesso no início da terapia, os remédios utilizados para tratar o Parkinson perdem a eficácia com o tempo, bem como são capazes de causar reações adversas entre 20% e 30% dos casos.

Acesse para ler a matéria na Íntegra: https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/12/14/interna_bem_viver,1220328/neuromodulacao-melhora-qualidade-de-vida-de-pacientes-com-parkinson.shtml

Doença de Parkinson: tratamentos e qualidade de vida

 Conhecida principalmente pela “tremedeira”, rigidez entre as articulações, lentidão dos movimentos e dificuldade para caminhar, a Doença de Parkinson acomete aproximadamente 10 milhões de pessoas mundo afora. No Brasil, dados não oficiais apontam para aproximadamente 250 mil casos. Por motivos ainda não completamente compreendidos, ocorre uma diminuição intensa da produção de uma substância chamada dopamina por neurônios de determinada região do cérebro. A falta de dopamina, que atua na transmissão de mensagens entre células nervosas, causa tanto anormalidades no controle dos movimentos, como também alterações na percepção de emoções.

Quais são os principais sintomas?

Os principais sintomas são o tremor, a rigidez, a lentificação dos movimentos e a diminuição do equilíbrio para caminhar. Esses chamados sintomas motores da doença se iniciam, na verdade, quando o “estoque” de dopamina já alcançou níveis bem baixos no cérebro. Labilidade emocional (choro imotivado), dificuldade para sentir cheiro e insônia, assim como alteração do hábito intestinal, podem aparecer mesmo antes dos sintomas motores. A doença acomete principalmente adultos após os 50 anos de idade, embora possa ocorrer também em pessoas um pouco mais jovens.

Quando procurar um médico?

Os sintomas da Doença de Parkinson são bem característicos, sendo que um médico especialista poderá identificar o problema. Vale lembrar que até 30% dos pacientes não apresentam necessariamente o tremor. Portanto, em caso de lentificação dos movimentos, rigidez nas articulações e dificuldade para caminhar, vale a pena consultar um especialista mesmo na ausência do característico tremor.  O diagnóstico é basicamente clínico, ou seja, feito no consultório. Alguns tipos de exames de imagem, também podem ser úteis neste processo e seu médico saberá quando solicitá-los. A presença de casos de Doença de Parkinson na família pode indicar uma maior chance de o indivíduo desenvolver a doença, entretanto não é determinante.

Quais são as opções de tratamento atualmente?

            Atualmente, o tratamento medicamentoso ainda é a primeira opção, além de reabilitação e suporte psicológico. Esses medicamentos visam repor parcialmente a dopamina que está faltando. Portanto, o tratamento não é curativo, porém alivia substancialmente os sintomas e diminui complicações da doença. A melhora ocorre quase que imediatamente após início da medicação. Porém, ainda não existem medicamentos que curem completamente a doença ou que impeçam a sua progressão.

Após alguns anos de boa resposta ao tratamento, poderá se iniciar uma fase em que os remédios passam a trazer menos benefícios e possivelmente mais efeitos colaterais. Nestes casos, existem técnicas de tratamento cirúrgico, assim como formas alternativas de administração de medicações, que melhoram a mobilidade e a qualidade de vida dos pacientes.

Como é a cirurgia para a Doença de Parkinson?

A “Estimulação Cerebral Profunda” é o método também conhecido como “DBS” (do inglês, Deep Brain Stimulation). Esta cirurgia vem sendo utilizada há mais de 30 anos e desponta como o principal aliado à terapia medicamentosa no tratamento da Doença de Parkinson. Trata-se de um “marca-passo” conectado a um delicado eletrodo, que, uma vez implantado em regiões do cérebro por método de neurocirurgia estereotáctica, é capaz de reorganizar circuitos neuronais, aliviando significativamente sintomas como o tremor, a rigidez muscular e a lentidão dos movimentos. A avaliação que antecede a cirurgia, assim como o seguimento pós-operatório devem ser realizados por uma equipe especializada, que inclui neurocirurgia e neurologia especializadas, neuropsicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte psicológico e nutricional.

A cirurgia é indolor e pode ser realizada em anestesia local, possibilitando a execução de mapeamento e estimulação cerebral durante o procedimento, ou em anestesia geral para maior conforto dos pacientes. Em resumo, o planejamento cirúrgico é realizado com base em um exame de ressonância magnética do crânio. Modernos programas de computador permitem a identificação visual das estruturas cerebrais e simulação da trajetória e posição final do eletrodo no cérebro. A estrutura cerebral “alvo” para estimulação varia conforme as condições e sintomas predominantes de cada paciente. Após inserido, o eletrodo é conectado a um pequeno marca-passo sob a pele da região torácica ou abdominal. Atualmente existe enorme variedade de tipos de eletrodos e geradores (ex. recarregáveis, não-recarregáveis) que devem ser empregados conforme condições clínicas e a patologia em questão, porém levando em consideração o estilo de vida e as preferências de cada paciente.

O que acontece após a cirurgia?

Após a cirurgia, o paciente deverá continuar o seguimento clínico com equipe multidisciplinar e acompanhado pelo seu neurologista e neurocirurgião para pequenos ajustes das medicações e dos parâmetros de estimulação. Esse seguimento pode ser realizado normalmente em consultório médico.

Muitas vezes, o tratamento cirúrgico possibilita uma redução da dosagem das medicações, o que também contribui para melhora clínica. Estudos científicos mostram que o tratamento cirúrgico leva a uma melhora significativa dos sintomas e da qualidade de vida dos pacientes. Geralmente, após a cirurgia, o paciente passa mais horas do seu dia com boa mobilidade e períodos mais curtos de rigidez e lentidão dos movimentos.[1,2]  Esse método tem sido também empregado com sucesso no tratamento neurocirúrgico de outras doenças neuropsiquiátricas, como Tremor Essencial, Distonia, Epilepsia e Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

Apoio:

Dr Luciano Furlanetti, MD, PhD, FEBNS

CRM 121.022 | Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) | Membro Titular da Sociedade Alemã de Neurocirurgia (ÄK-DGNC) | Membro Titular da Sociedade Britânica de Neurocirurgia (SBNS)| Doutorado e Pós-Doutorado em Neurocirurgia Funcional – Alemanha/UK | Clinical Fellowship Neurocirurgia Funcional – King’s College Hospital, Londres, Reino Unido | Clinical Fellowship Neuro-oncologia – King’s College Hospital, Londres, Reino Unido

Como manter a qualidade de vida sendo cuidador de pacientes com Parkinson

São cuidadores todos aqueles que procuram atender as necessidades de um doente, sejam elas físicas ou psicossociais. Podem ser pessoas contratadas para desempenhar tal função ou um familiar do doente. Trata-se de um grupo cada vez mais numeroso que realiza uma tarefa necessária e que, no entanto, muitas vezes não possui visibilidade, nem atenção. Por ser uma doença crônico-degenerativa, o cuidador familiar ao assumir o cuidado da pessoa com Doença de Parkinson, comumente, o faz de maneira ininterrupta, não se permitindo, às vezes, ter tempo para o atendimento de suas atividades pessoais e/ou profissionais. Assim, verifica-se alteração do seu estilo de vida em função das necessidades do doente.

Atividades de lazer e convívio social normalmente acabam sendo postergadas em decorrência das demandas de cuidado a depender das exigências do paciente, especialmente quando este encontra-se nos estágios mais avançados da doença e necessita da presença constante desse cuidador. Nessa perspectiva, surgem implicações na saúde e na qualidade de vida dos cuidadores.

Muitos dos cuidadores que trabalham com pessoas com Doença de Parkinson, estão expostos a várias fontes de estresse podendo causar diversos impactos em suas vidas nos aspectos físicos (dores no corpo, câimbras frequentes, perda da força muscular, fadiga crônica, perda de energia, desgastes de articulações, falta de apetite), psico-emocionais (sintomas depressivos, alteração de memória, choro constante, distúrbios do sono, dor de cabeça, baixa concentração, agressividade) e sociais (dificuldade em manter contato com as pessoas, se colocar em grupos, ficar isolado).

Sendo assim, para reduzir o estresse, os cuidadores necessitam ser orientados e preparados para executarem o cuidado apropriado à pessoa com Parkinson, serem capazes de avaliar as necessidades, potencialidades e limites da pessoa cuidada, assim como gerenciar e executar seu autocuidado. É fundamental que a equipe de saúde que faz o acompanhamento desse paciente realize orientações aos cuidadores em sua prática assistencial, respeitando e valorizando a participação e autonomia dessas pessoas, assim como possibilitar que seus anseios e suas dúvidas sejam minimizados, explicando principalmente sobre o curso clínico da doença, as limitações e como lidar com isso.

Desta maneira, estes cuidadores se sentirão mais seguros em suas ações, o que traz benefício a ele próprio e à pessoa com Parkinson, diminuindo o estresse. Quanto menor o estresse, maior será a qualidade de vida desse cuidador. É importante, também, que o paciente tenha uma rotina estabelecida para que o cuidador consiga pré-estabelecer um período de descanso, onde possa realizar alguma atividade prazerosa, leitura de um livro, socializar com outras pessoas, enfim, algo que proporcione bem-estar e diminua a sobrecarga.


É fundamental, também, que o cuidador mantenha sua saúde física e mental íntegra, visitando de forma periódica o médico, evitando o isolamento social e pedindo sempre ajuda nos casos necessários. Somado a isso, deve se atentar a qualidade do seu sono para que ele seja reparador, ter uma alimentação saudável e manter, acima de tudo, uma atitude positiva mesmo diante das dificuldades.

Os grupos de apoio e ajuda para Pacientes com Doença de Parkinson
são, também, uma ótima maneira de socialização, de trocas de experiências e vivências, proporcionando um ambiente acolhedor para o cuidador e o doente. Portanto, no programa de reabilitação desses pacientes é fundamental a avaliação das dificuldades e anseios do cuidador para que intervenções sejam feitas com o intuito de melhorar a qualidade de vida destes.

Apoio:

Dra. Clarissa Macedo F G Bandeira

Crefito 6: 157021F

NeuroReabilite Centro de Reabilitação

Guia de orientações para cuidadores de pessoas com Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é uma afecção de origem neurológica, progressiva e não tem cura. Os sintomas podem evoluir de forma variável: para algumas pessoas, isso acontece de forma mais lenta; para outras, mais rapidamente. De forma geral, as manifestações mais conhecidas são o tremor, a lentidão e a rigidez dos movimentos. Por se tratar de uma doença com acometimento muscular, encontramos também prejuízos na musculatura participante da fala e da deglutição, resultando em voz fraca e engasgos/tosse, respectivamente. A intervenção fonoterápica consiste em orientações e exercícios para atenuação dos sintomas. Para que se obtenha uma melhor resposta, é fundamental o papel do cuidador nesse processo, por se tratar da pessoa que acompanha diariamente o paciente.
Quando o cuidador é bem orientado e atento, são possíveis, na maioria dos casos, a prevenção de engasgos e a melhora da comunicação. Seguem DICAS IMPORTANTES para prevenção de engasgos/tosse, que podem levar à broncoaspiração de alimento:

– Se estiver com medicação, a alimentação deve ser oferecida na hora de maior efeito do remédio, chamado de efeito on. Caso não tenha essa observação, levar em consideração o quadro de alerta do indivíduo, É PRECISO ESTAR BEM ACORDADO!

– A posição do tronco e da cabeça também merece atenção. Alimentar-se bem sentado, com a cabeça reta (acompanhando o ombro). Nunca a cabeça deve ficar para trás, pois isso facilita que o alimento se desloque até o pulmão.

– Se houver presença de tosse ou engasgos para líquidos, há no mercado espessantes para deixar os líquidos mais grossos e a ingestão ser mais segura. A consistência a ser espessada deve ser orientada pelo fonoaudiólogo que acompanha o indivíduo.

– No caso daqueles que apresentam prejuízo com a alimentação mais sólida, mais seca, é necessário adaptar a alimentação como se fosse para um “bebê na fase de introdução alimentar”: tudo mais cozido, em consistência de “papa” e acompanhado de um purê.

– Se mesmo assim houver dificuldade, é o momento de alimentação ser liquidificada e ser oferecida homogênea, sem resíduos!

– Uma alteração muito frequente na alimentação do parkinsoniano é a estase (alimento parado na garganta). Em virtude da reduzida sensibilidade laríngea desses pacientes, muitos não apresentam essa queixa, o que, portanto, não significa que esteja tudo bem. Esse tipo de alteração é mais bem avaliada por meio de um exame conhecido como videoendoscopia da deglutição. Nele, quando se observa alimento parado, o fonoaudiólogo avalia na hora o tipo de manobra a ser empregada para cada alteração. Uma orientação para situações mais simples é a alternância de consistências ou seja, tomar líquido a cada deglutição de alimento.

–  Após a alimentação, por segurança, solicitar que o paciente faça um pigarro e engula em seguida.

– O paciente só deve deitar-se 1 hora após a refeição, para evitar refluxo gastroesofagico.

– Higienizar a boca após as refeições para evitar risco de aspiração por estase (alimento parado na boca).

– Por fim, com relação à comunicação: conversar sempre de frente para o indivíduo, com frases objetivas e boa articulação (mexendo bem a boca). Para o parkinsoniano, existem alguns exercícios especificos para cada alteração vocal. Um método bem utilizado tem sido o Lee Silverman (aplicado pelo fonoaudiólogo). O cuidador deve cobrar do paciente que ele fale alto, podendo conduzir leituras de textos, contagem, conversas e incentivá-lo a cantar músicas. Vale qualquer atividade que estimule a fala!

Apoio:

Fga. Elisângela Zacanti Garcia
Especialista em Disfagia Neurogênica – Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP
Mestre em Distúrbios da Comunicação Humana – Universidade Federal de São Paulo
Estágio em Voz e Disfagia – Johns Hopkins Hospital (EUA)
Certificada pelo Método Lee Silverman Voice Therapy – LSVT

Tratamentos Doença de Parkinson

Doença de Parkinson | Saiba mais sobre a estimulação cerebral profunda

Texto escrito por Lúcia Helena de Oliveira, colunista do UOL

Eu, que nunca fui lá grande coisa em física — embora, para meu sufoco, a física faça parte da medicina —, pergunto ao neurocirurgião Manoel Jacobsen o que, afinal, seria “modular”. O dicionário tinha me dado, como primeiríssima definição, que o termo “modular” seria algo como regular o tom e a altura da voz quando você fala ou canta.

O médico — professor da Universidade de São Paulo que, com paciência infinita, me deu uma aula particular por estes dias —, respondeu seguindo com o exemplo sonoro. “É aperfeiçoar um sistema para tirar a sujeira ou o ruído. Como quando você sintoniza uma FM para ouvir música: por ser uma frequência modulada de ondas de rádio, você ouve muito melhor cada instrumento, sem a interferência de sons estranhos”, me explicou. Entendido. Mas aqui a ideia de modular seria a de tirar os ruídos na conversa entre os neurônios do cérebro. E, no caso específico, de quem tem Parkinson.

A neuromodulação, para muitos, é considerada uma das maiores promessas da medicina para os novos tempos. Tem sido usada com sucesso para tratar dores difíceis de lidar, problemas de tônus muscular, distúrbios comportamentais ou da fisiologia do aparelho digestivo e urinário —”há até trabalhos sobre o seu uso no controle do apetite”, me conta o professor.

Quando focamos no Parkinson, o mais certo é a gente falar em estimulação cerebral profunda ou simplesmente ECP, porque os neurônios modulados estão localizados no sistema nervoso central. E há quem afirme que, para quem sofre da doença que o cirurgião e farmacêutico inglês James Parkinson (1755 – 1824) descreveu lá atrás, essa terapia poderia significar não apenas um controle imediato da situação, mas ter ainda um efeito protetor, prevenindo o avanço da deterioração das células nervosas por trás de uma série de sintomas, entre os quais os tremores são o menor dos males.

“Isso hoje é apenas uma conjectura. Mas é importante a gente sonhar com o futuro e checar se isso não pode estar acontecendo pra valer. Seria a melhor notícia”, diz o neurocirurgião que, aliás, já sonhou outras vezes —que bom! Ainda em 1979, Jacobsen foi o pioneiro no uso dessa tecnologia no Brasil, para não dizer um dos primeiros no mundo, e admite: “Era recebido com cara feia por vários colegas porque era tudo muito novo e causava enorme receio”, recorda.

Tem dado certo. Hoje, o tratamento é até disponibilizado em certas circunstâncias no SUS e, com a evolução da ciência, é bem mais viável do que no passado, sem o paciente ter de carregar no corpo uma geringonça com duas antenas que tornava o sistema, em si, bastante frágil e o dia a dia do cidadão, uma complicação. Nada mais é assim. Agora tudo é compacto, delicado e, o melhor, tudo fica implantado. Outro equipamento, que nem sequer precisa ser encostado ao corpo, faz a leitura a distância se for o caso e permite que o médico ou o próprio paciente saiba o que está acontecendo lá dentro —dentro de sua cabeça, bem entendido. As novas baterias, por sua vez, duram cinco, seis, sete anos. Ou seja, vida mais longa e com qualidade a quem tem Parkinson.

Acesse para ler a matéria na íntegra: https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/lucia-helena/2020/11/10/doenca-de-parkinson-da-para-tirar-o-ruido-na-conversa-entre-os-neuronios.htm

Carta ao Meu Cuidador

Querido amigo,

Você sabe que sou parkinsoniano! E você já sabe que essa doença não é infectocontagiosa e nem hereditária.

Você já sabe que ela avança lentamente e que há medicamentos que podem ajudar…

Fica ao meu lado! 

As vezes tenho dias bons e outros não…

Os medicamentos controlam alguns dos meus tremores. 

Se as minhas mãos ou pés tremem, eu sento-me na mão ou ponho-a no bolso!

Aja naturalmente, trate-me como você sempre fez.

Se você pensa que já não me divirto porque não dou mais gargalhadas, você se engana, quando parecer que estou olhando vago pra você ou pareço ser inexpressivo, esse é um dos sintomas dos Parkinson, que você amigo (a) já sabe e conhece muito bem.

Eu ouço e quero me comunicar e interagir normalmente, mas saiba, eu carrego aqui dentro de mim coisas que só quem é parkinsoniano sabe… não é porque eu não consigo dizer, que eu não tenho algo a dizer…

Tenho a mesma inteligência, simplesmente, é difícil mudar a minha expressão facial e ou parar de tremer e ou fazer-me entender! 

Como sinto dificuldade de engolir, chego até a babar.

Incomoda-me, por isso, mantenho sempre um lenço a mão.

Você observará que minha voz as vezes é mais alta e as vezes é mais fraca. Também é da doença de Parkinson. Por favor, procure ouvir-me com paciência.

A mesma química cerebral que causa meus movimentos lentos, também me faz falar devagar.

Quando eu quiser participar da conversa, deixe-me falar…

Deixe-me comunicar…

Deixe-me socializar… Me auxilie nisso.

Ao tentar levantar-me, verifico que mal posso me mexer, talvez esteja acabando o efeito do medicamento, esta rigidez é também parte da doença de Parkinson. 

Ajuda-me a andar mais rápido!

Só tenho duas velocidades; lenta e mais lenta.

Preciso fazer exercícios e preciso andar todos os dias,  2 a 3 km já é suficiente. 

Vem comigo, pois com você me acompanhando, divirto-me e tenho mais ânimo para andar o que preciso. 

Pode ser uma caminhada lenta, mas chegaremos!

Se eu quase cair ou andar inclinado para a frente, sei que você estará comigo. 

Você sabe que nem sempre estou ciente do que faço.

Devo fazer exercícios todos os dias para alongar-me, flexionar-me, movimentar a musculatura e tornar os músculos mais fortes e flexíveis.

Meu (minha) cara (o) cuidador (a), venho te pedir que caso a insônia aconteça e você perceba que estou a vaguear pela casa à meia-noite e eu me queixar que não consigo dormir, a culpa é da doença de Parkinson, não tem nada a ver com o que eu comi ou com a hora que fui dormir. 

Às vezes durmo uma vez durante o dia; assim posso dormir um pouco. Nem sempre consigo controlar quando me sinto cansado ou com vontade de dormir.

Por favor paciência! Preciso de você e que entenda que agora sou mais lento por causa da doença de Parkinson.

Preciso de cuidados e de amigos, quero continuar a ser parte de sua vida e quero que continue fazendo parte da minha, pois você é muito importante para mim.

Deixa-me vivenciar as suas experiências e compartilhe comigo todo seu carinho, pois sou eternamente grato por ter você aqui comigo, me ensinando como caminhar, me ajudando para eu não errar, estendendo as mãos pra me mostrar o maior dos dons: o dom do cuidar, da paciência e da generosidade.

Meu muito obrigado!!!

Apoio:

Associação dos Parkinsonianos de Minas Gerais – ASPARMIG
Texto cedido por Janette de Melo Franco
Acesse para saber mais: https://asparmig.com.br/

Person with Parkinson and his caregiver

Você sabe quais são os sintomas não motores do Parkinson?

Reconhecer e tratar os sintomas não motores da Doença de Parkinson é de fundamental importância para estabelecer uma boa qualidade de vida, visando sobretudo, garantir uma maior independência ao paciente, e menor sobrecarga ao cuidador.

A seguir, estarão alguns destes sintomas e forma de lidar: 

SINTOMAS NEUROPSIQUIÁTRICOS:

  • DEPRESSÃO:  é o distúrbio psiquiátrico mais comum visto na DP, e está associado a um impacto negativo na qualidade de vida do paciente. Os principais sintomas manifestados são: tristeza, anedonia, e diminuição do interesse pelas atividades. Pacientes com depressão devem receber medicação antidepressiva, e/ou terapia cognitivo-comportamental. O tratamento pode também envolver ajustes de doses das medicações dopaminérgicas.
  • ANSIEDADE: estima-se que ocorra em aproximadamente 30% dos pacientes. Todos os tipos de transtornos de ansiedade foram relatados na DP, embora o transtorno de ansiedade generalizada e a fobia social pareçam ser os mais comuns. O tratamento dependerá de como a ansiedade interfere nas atividades e bem-estar do paciente, e envolve uso de medicamentos antidepressivos.
  • APATIA: a apatia é definida como uma perda de motivação, caracterizada pela diminuição da fala, atividade motora, e expressão emocional, geralmente atribuída à disfunção do lobo frontal e do sistema límbico. O tratamento ainda não está bem estabelecido para esta população. Rotineiramente, alguns medicamentos estimulantes do sistema nervoso central, e antidepressivos são tentados.   

ALTERAÇÕES DO SONO

  • TRANSTORNO COMPORTAMENTAL DO SONO REM: é o sintoma não motor mais específico da doença de Parkinson. Caracterizado pela presença de sonhos vívidos, e presença de movimentos complexos durante o sono REM, fase do sono em que o normal é a atonia/paralisia muscular. Os acometidos podem cair da cama, fazer movimentos bruscos, vocalizar. O tratamento inicia-se com orientações sobre os cuidados necessários no momento de dormir. Deve-se evitar objetos perfuro-cortantes ou contundentes próximo da cama, incluindo a proteção de janelas e o uso de leitos mais baixos. Muitas vezes é necessário tratamento medicamentoso.
  • SONOLÊNCIA EXCESSIVA DIURNA: a sonolência excessiva diurna caracteriza-se por incapacidade de permanecer acordado e alerta durante o periodo da vigília diurna, resultando em períodos irresistíveis de sono. Ocorre em até 50% dos pacientes. As causas são multifatoriais, envolvendo comprometimento das vias sinápticas e dos neurotransmissores (hipocretina, dopamina, acetilcolina e noradrenalina), efeitos dos medicamentos usados no tratamento da DP, ou ainda, dos distúrbios primários do sono, como apneia do sono e insônia. Muitas vezes, a polissonografia contribui para o diagnóstico. O tratamento envolve suspeitar e tratar os distúrbios primários do sono, retirada de medicamentos sedativos, e/ou redução das medicações dopaminérgicas, usadas para a melhora motora da doença. Alguns medicamentos estimulantes do SNC podem ser usados.
  • SÍNDROME DA APNEIA E HIPOPNEIA OBSTRUTIVA DO SONO (SAHOS): a SAHOS caracteriza-se por episódios obstrutivos recorrentes nas vias aéreas superiores, associados a dessaturação de oxigênio, despertares e fragmentação do sono. O diagnóstico é suspeitado em consulta médica, e confirmado com a polissonografia. O tratamento envolve o uso de aparelhos de pressão positiva nas vias aéreas, para as formas moderadas e graves. Medidas de higiene do sono, redução de peso, e restrição de medicamentos sedativos devem ser implementadas.

DISFUNÇÃO COGNITIVA

  • DEMÊNCIA: embora a DP possa coexistir com outras causas comuns de demência, como a doença de Alzheimer e a demência vascular, o comprometimento cognitivo e a demência são cada vez mais reconhecidas como uma característica comum da própria DP. Geralmente ocorre nos estágios finais da doença. É classicamente considerada uma demência subcortical, com lentificação psicomotora, dificuldade de memória e alteração da personalidade. Os déficits no funcionamento executivo (tomada de decisão ou multitarefa), costumam ser os primeiros sintomas manifestados. O tratamento envolve uso de medicamentos, e objetiva controlar os sintomas, não modificando o curso da doença.

SINTOMAS URINÁRIOS

  • O descontrole urinário é um grande problema para muitos pacientes. Os sintomas mais comuns são, vontade de urinar várias vezes durante à noite, e urgência para urinar. É importante abordar como esses sintomas afetam o quotidiano dos pacientes e como os sintomas de bexiga hiperativa podem ser particularmente desagradáveis. Existem medicamentos capazes de controlarem estes sintomas. Em alguns casos, é recomendado avaliação urológica.

SINTOMAS GASTRINTESTINAIS

  • Disfagia (dificuldade para engolir): a maioria dos pacientes não se queixa espontaneamente de dificuldade de deglutição, e individualmente restringe seletivamente a dieta para alimentos pastosos. Engasgos são frequentes, condicionando risco de aspiração. Muitas vezes, a perca de peso se deve adicionalmente à esses sintomas. Além de ajustes medicamentosos, o acompanhamento fonoaudiológico é primordial.
  • Sialorreia (produção excessiva de saliva): pode ser consequência da dificuldade de deglutição. Novamente, a fonoaudiologia tem papel central no tratamento, e adicionalmente, poderá desenvolver um trabalho para fortificar a voz, que nestes pacientes normalmente está enfraquecida. Existem boas opções de tratamento medicamentoso, dentre eles, a aplicação de toxina botulínica.
  • Constipação intestinal: presente em cerca de 80% dos pacientes, é habitualmente o sintoma mais precoce, podendo anteceder as manifestações motoras em até 20 anos. Ocorre devido ao processo neurodegenerativo, e posteriormente, agravado devido ao uso de algumas medicações. O tratamento envolve medidas não farmacológicas, com uma dieta rica em fibras (40 a 70g/dia), aumento da ingesta hídrica, exercícios físicos regulares, e massagens abdominais. Em muitos casos é necessário o uso de laxativos.

SINTOMAS AUTONÔMICOS

  • HIPOTENSÃO ORTOSTÁTICA: é a queda da pressão arterial ao se levantar, podendo preceder ou até mesmo levar à síncope (“desmaio”). É um sintoma muito comum, porém, pouco referido aos médicos. O tratamento envolve a prática regular de exercício físico, e uso de meias de compressão nas pernas. Se orientação médica, pode-se aumentar ingesta de sal e água, e programar a suspensão de possíveis medicamentos que podem estar contribuindo para o problema. Se mesmo assim os sintomas persistirem, medicamentos específicos podem ser indicados.

DISFUNÇÕES SENSITIVAS

  • HIPOSMIA (REDUÇÃO DO OLFATO): é o sintoma não motor mais sensível da DP, pois ocorre em até 90% dos acometidos pela doença, e podem estar presentes anos antes dos primeiros sinais motores.
  • DOR: é uma queixa comum nos pacientes com DP, e também pode estar presentes anos antes da fase motora. Porém, ocorre mais comumente na fase em que os sintomas motores estão avançados. A causa é multifatorial. As principais queixas são, dor lombar, cãibras, e dor articular. O tratamento em geral envolve otimização das doses dos medicamentos antiparkinsonianos, e fisioterapia. Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados quando indicados. Um ponto essencial a abordar, é a conhecida e associação entre dor e sintomas depressivos.

OUTROS SINTOMAS NÃO MOTORES:

  • Psicose, fadiga, dermatite seborreica, parestesias

*Esse é um conteúdo de caráter informativo. Qualquer terapia deve ser modificada ou implementada sob a indicação do seu médico

Apoio:
Dr. Filipe Miranda Milagres Araujo

Neurologista especializado em Distúrbios do Movimento pela USP-RP

CRMMG 57153  /  RQE 42850

filipeneuro@usp.br