Como manter a qualidade de vida sendo cuidador de pacientes com Parkinson

São cuidadores todos aqueles que procuram atender as necessidades de um doente, sejam elas físicas ou psicossociais. Podem ser pessoas contratadas para desempenhar tal função ou um familiar do doente. Trata-se de um grupo cada vez mais numeroso que realiza uma tarefa necessária e que, no entanto, muitas vezes não possui visibilidade, nem atenção. Por ser uma doença crônico-degenerativa, o cuidador familiar ao assumir o cuidado da pessoa com Doença de Parkinson, comumente, o faz de maneira ininterrupta, não se permitindo, às vezes, ter tempo para o atendimento de suas atividades pessoais e/ou profissionais. Assim, verifica-se alteração do seu estilo de vida em função das necessidades do doente.

Atividades de lazer e convívio social normalmente acabam sendo postergadas em decorrência das demandas de cuidado a depender das exigências do paciente, especialmente quando este encontra-se nos estágios mais avançados da doença e necessita da presença constante desse cuidador. Nessa perspectiva, surgem implicações na saúde e na qualidade de vida dos cuidadores.

Muitos dos cuidadores que trabalham com pessoas com Doença de Parkinson, estão expostos a várias fontes de estresse podendo causar diversos impactos em suas vidas nos aspectos físicos (dores no corpo, câimbras frequentes, perda da força muscular, fadiga crônica, perda de energia, desgastes de articulações, falta de apetite), psico-emocionais (sintomas depressivos, alteração de memória, choro constante, distúrbios do sono, dor de cabeça, baixa concentração, agressividade) e sociais (dificuldade em manter contato com as pessoas, se colocar em grupos, ficar isolado).

Sendo assim, para reduzir o estresse, os cuidadores necessitam ser orientados e preparados para executarem o cuidado apropriado à pessoa com Parkinson, serem capazes de avaliar as necessidades, potencialidades e limites da pessoa cuidada, assim como gerenciar e executar seu autocuidado. É fundamental que a equipe de saúde que faz o acompanhamento desse paciente realize orientações aos cuidadores em sua prática assistencial, respeitando e valorizando a participação e autonomia dessas pessoas, assim como possibilitar que seus anseios e suas dúvidas sejam minimizados, explicando principalmente sobre o curso clínico da doença, as limitações e como lidar com isso.

Desta maneira, estes cuidadores se sentirão mais seguros em suas ações, o que traz benefício a ele próprio e à pessoa com Parkinson, diminuindo o estresse. Quanto menor o estresse, maior será a qualidade de vida desse cuidador. É importante, também, que o paciente tenha uma rotina estabelecida para que o cuidador consiga pré-estabelecer um período de descanso, onde possa realizar alguma atividade prazerosa, leitura de um livro, socializar com outras pessoas, enfim, algo que proporcione bem-estar e diminua a sobrecarga.


É fundamental, também, que o cuidador mantenha sua saúde física e mental íntegra, visitando de forma periódica o médico, evitando o isolamento social e pedindo sempre ajuda nos casos necessários. Somado a isso, deve se atentar a qualidade do seu sono para que ele seja reparador, ter uma alimentação saudável e manter, acima de tudo, uma atitude positiva mesmo diante das dificuldades.

Os grupos de apoio e ajuda para Pacientes com Doença de Parkinson
são, também, uma ótima maneira de socialização, de trocas de experiências e vivências, proporcionando um ambiente acolhedor para o cuidador e o doente. Portanto, no programa de reabilitação desses pacientes é fundamental a avaliação das dificuldades e anseios do cuidador para que intervenções sejam feitas com o intuito de melhorar a qualidade de vida destes.

Apoio:

Dra. Clarissa Macedo F G Bandeira

Crefito 6: 157021F

NeuroReabilite Centro de Reabilitação

Guia de orientações para cuidadores de pessoas com Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é uma afecção de origem neurológica, progressiva e não tem cura. Os sintomas podem evoluir de forma variável: para algumas pessoas, isso acontece de forma mais lenta; para outras, mais rapidamente. De forma geral, as manifestações mais conhecidas são o tremor, a lentidão e a rigidez dos movimentos. Por se tratar de uma doença com acometimento muscular, encontramos também prejuízos na musculatura participante da fala e da deglutição, resultando em voz fraca e engasgos/tosse, respectivamente. A intervenção fonoterápica consiste em orientações e exercícios para atenuação dos sintomas. Para que se obtenha uma melhor resposta, é fundamental o papel do cuidador nesse processo, por se tratar da pessoa que acompanha diariamente o paciente.
Quando o cuidador é bem orientado e atento, são possíveis, na maioria dos casos, a prevenção de engasgos e a melhora da comunicação. Seguem DICAS IMPORTANTES para prevenção de engasgos/tosse, que podem levar à broncoaspiração de alimento:

– Se estiver com medicação, a alimentação deve ser oferecida na hora de maior efeito do remédio, chamado de efeito on. Caso não tenha essa observação, levar em consideração o quadro de alerta do indivíduo, É PRECISO ESTAR BEM ACORDADO!

– A posição do tronco e da cabeça também merece atenção. Alimentar-se bem sentado, com a cabeça reta (acompanhando o ombro). Nunca a cabeça deve ficar para trás, pois isso facilita que o alimento se desloque até o pulmão.

– Se houver presença de tosse ou engasgos para líquidos, há no mercado espessantes para deixar os líquidos mais grossos e a ingestão ser mais segura. A consistência a ser espessada deve ser orientada pelo fonoaudiólogo que acompanha o indivíduo.

– No caso daqueles que apresentam prejuízo com a alimentação mais sólida, mais seca, é necessário adaptar a alimentação como se fosse para um “bebê na fase de introdução alimentar”: tudo mais cozido, em consistência de “papa” e acompanhado de um purê.

– Se mesmo assim houver dificuldade, é o momento de alimentação ser liquidificada e ser oferecida homogênea, sem resíduos!

– Uma alteração muito frequente na alimentação do parkinsoniano é a estase (alimento parado na garganta). Em virtude da reduzida sensibilidade laríngea desses pacientes, muitos não apresentam essa queixa, o que, portanto, não significa que esteja tudo bem. Esse tipo de alteração é mais bem avaliada por meio de um exame conhecido como videoendoscopia da deglutição. Nele, quando se observa alimento parado, o fonoaudiólogo avalia na hora o tipo de manobra a ser empregada para cada alteração. Uma orientação para situações mais simples é a alternância de consistências ou seja, tomar líquido a cada deglutição de alimento.

–  Após a alimentação, por segurança, solicitar que o paciente faça um pigarro e engula em seguida.

– O paciente só deve deitar-se 1 hora após a refeição, para evitar refluxo gastroesofagico.

– Higienizar a boca após as refeições para evitar risco de aspiração por estase (alimento parado na boca).

– Por fim, com relação à comunicação: conversar sempre de frente para o indivíduo, com frases objetivas e boa articulação (mexendo bem a boca). Para o parkinsoniano, existem alguns exercícios especificos para cada alteração vocal. Um método bem utilizado tem sido o Lee Silverman (aplicado pelo fonoaudiólogo). O cuidador deve cobrar do paciente que ele fale alto, podendo conduzir leituras de textos, contagem, conversas e incentivá-lo a cantar músicas. Vale qualquer atividade que estimule a fala!

Apoio:

Fga. Elisângela Zacanti Garcia
Especialista em Disfagia Neurogênica – Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP
Mestre em Distúrbios da Comunicação Humana – Universidade Federal de São Paulo
Estágio em Voz e Disfagia – Johns Hopkins Hospital (EUA)
Certificada pelo Método Lee Silverman Voice Therapy – LSVT

Tratamentos Doença de Parkinson

Doença de Parkinson | Saiba mais sobre a estimulação cerebral profunda

Texto escrito por Lúcia Helena de Oliveira, colunista do UOL

Eu, que nunca fui lá grande coisa em física — embora, para meu sufoco, a física faça parte da medicina —, pergunto ao neurocirurgião Manoel Jacobsen o que, afinal, seria “modular”. O dicionário tinha me dado, como primeiríssima definição, que o termo “modular” seria algo como regular o tom e a altura da voz quando você fala ou canta.

O médico — professor da Universidade de São Paulo que, com paciência infinita, me deu uma aula particular por estes dias —, respondeu seguindo com o exemplo sonoro. “É aperfeiçoar um sistema para tirar a sujeira ou o ruído. Como quando você sintoniza uma FM para ouvir música: por ser uma frequência modulada de ondas de rádio, você ouve muito melhor cada instrumento, sem a interferência de sons estranhos”, me explicou. Entendido. Mas aqui a ideia de modular seria a de tirar os ruídos na conversa entre os neurônios do cérebro. E, no caso específico, de quem tem Parkinson.

A neuromodulação, para muitos, é considerada uma das maiores promessas da medicina para os novos tempos. Tem sido usada com sucesso para tratar dores difíceis de lidar, problemas de tônus muscular, distúrbios comportamentais ou da fisiologia do aparelho digestivo e urinário —”há até trabalhos sobre o seu uso no controle do apetite”, me conta o professor.

Quando focamos no Parkinson, o mais certo é a gente falar em estimulação cerebral profunda ou simplesmente ECP, porque os neurônios modulados estão localizados no sistema nervoso central. E há quem afirme que, para quem sofre da doença que o cirurgião e farmacêutico inglês James Parkinson (1755 – 1824) descreveu lá atrás, essa terapia poderia significar não apenas um controle imediato da situação, mas ter ainda um efeito protetor, prevenindo o avanço da deterioração das células nervosas por trás de uma série de sintomas, entre os quais os tremores são o menor dos males.

“Isso hoje é apenas uma conjectura. Mas é importante a gente sonhar com o futuro e checar se isso não pode estar acontecendo pra valer. Seria a melhor notícia”, diz o neurocirurgião que, aliás, já sonhou outras vezes —que bom! Ainda em 1979, Jacobsen foi o pioneiro no uso dessa tecnologia no Brasil, para não dizer um dos primeiros no mundo, e admite: “Era recebido com cara feia por vários colegas porque era tudo muito novo e causava enorme receio”, recorda.

Tem dado certo. Hoje, o tratamento é até disponibilizado em certas circunstâncias no SUS e, com a evolução da ciência, é bem mais viável do que no passado, sem o paciente ter de carregar no corpo uma geringonça com duas antenas que tornava o sistema, em si, bastante frágil e o dia a dia do cidadão, uma complicação. Nada mais é assim. Agora tudo é compacto, delicado e, o melhor, tudo fica implantado. Outro equipamento, que nem sequer precisa ser encostado ao corpo, faz a leitura a distância se for o caso e permite que o médico ou o próprio paciente saiba o que está acontecendo lá dentro —dentro de sua cabeça, bem entendido. As novas baterias, por sua vez, duram cinco, seis, sete anos. Ou seja, vida mais longa e com qualidade a quem tem Parkinson.

Acesse para ler a matéria na íntegra: https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/lucia-helena/2020/11/10/doenca-de-parkinson-da-para-tirar-o-ruido-na-conversa-entre-os-neuronios.htm

Carta ao Meu Cuidador

Querido amigo,

Você sabe que sou parkinsoniano! E você já sabe que essa doença não é infectocontagiosa e nem hereditária.

Você já sabe que ela avança lentamente e que há medicamentos que podem ajudar…

Fica ao meu lado! 

As vezes tenho dias bons e outros não…

Os medicamentos controlam alguns dos meus tremores. 

Se as minhas mãos ou pés tremem, eu sento-me na mão ou ponho-a no bolso!

Aja naturalmente, trate-me como você sempre fez.

Se você pensa que já não me divirto porque não dou mais gargalhadas, você se engana, quando parecer que estou olhando vago pra você ou pareço ser inexpressivo, esse é um dos sintomas dos Parkinson, que você amigo (a) já sabe e conhece muito bem.

Eu ouço e quero me comunicar e interagir normalmente, mas saiba, eu carrego aqui dentro de mim coisas que só quem é parkinsoniano sabe… não é porque eu não consigo dizer, que eu não tenho algo a dizer…

Tenho a mesma inteligência, simplesmente, é difícil mudar a minha expressão facial e ou parar de tremer e ou fazer-me entender! 

Como sinto dificuldade de engolir, chego até a babar.

Incomoda-me, por isso, mantenho sempre um lenço a mão.

Você observará que minha voz as vezes é mais alta e as vezes é mais fraca. Também é da doença de Parkinson. Por favor, procure ouvir-me com paciência.

A mesma química cerebral que causa meus movimentos lentos, também me faz falar devagar.

Quando eu quiser participar da conversa, deixe-me falar…

Deixe-me comunicar…

Deixe-me socializar… Me auxilie nisso.

Ao tentar levantar-me, verifico que mal posso me mexer, talvez esteja acabando o efeito do medicamento, esta rigidez é também parte da doença de Parkinson. 

Ajuda-me a andar mais rápido!

Só tenho duas velocidades; lenta e mais lenta.

Preciso fazer exercícios e preciso andar todos os dias,  2 a 3 km já é suficiente. 

Vem comigo, pois com você me acompanhando, divirto-me e tenho mais ânimo para andar o que preciso. 

Pode ser uma caminhada lenta, mas chegaremos!

Se eu quase cair ou andar inclinado para a frente, sei que você estará comigo. 

Você sabe que nem sempre estou ciente do que faço.

Devo fazer exercícios todos os dias para alongar-me, flexionar-me, movimentar a musculatura e tornar os músculos mais fortes e flexíveis.

Meu (minha) cara (o) cuidador (a), venho te pedir que caso a insônia aconteça e você perceba que estou a vaguear pela casa à meia-noite e eu me queixar que não consigo dormir, a culpa é da doença de Parkinson, não tem nada a ver com o que eu comi ou com a hora que fui dormir. 

Às vezes durmo uma vez durante o dia; assim posso dormir um pouco. Nem sempre consigo controlar quando me sinto cansado ou com vontade de dormir.

Por favor paciência! Preciso de você e que entenda que agora sou mais lento por causa da doença de Parkinson.

Preciso de cuidados e de amigos, quero continuar a ser parte de sua vida e quero que continue fazendo parte da minha, pois você é muito importante para mim.

Deixa-me vivenciar as suas experiências e compartilhe comigo todo seu carinho, pois sou eternamente grato por ter você aqui comigo, me ensinando como caminhar, me ajudando para eu não errar, estendendo as mãos pra me mostrar o maior dos dons: o dom do cuidar, da paciência e da generosidade.

Meu muito obrigado!!!

Apoio:

Associação dos Parkinsonianos de Minas Gerais – ASPARMIG
Texto cedido por Janette de Melo Franco
Acesse para saber mais: https://asparmig.com.br/

Person with Parkinson and his caregiver

Você sabe quais são os sintomas não motores do Parkinson?

Reconhecer e tratar os sintomas não motores da Doença de Parkinson é de fundamental importância para estabelecer uma boa qualidade de vida, visando sobretudo, garantir uma maior independência ao paciente, e menor sobrecarga ao cuidador.

A seguir, estarão alguns destes sintomas e forma de lidar: 

SINTOMAS NEUROPSIQUIÁTRICOS:

  • DEPRESSÃO:  é o distúrbio psiquiátrico mais comum visto na DP, e está associado a um impacto negativo na qualidade de vida do paciente. Os principais sintomas manifestados são: tristeza, anedonia, e diminuição do interesse pelas atividades. Pacientes com depressão devem receber medicação antidepressiva, e/ou terapia cognitivo-comportamental. O tratamento pode também envolver ajustes de doses das medicações dopaminérgicas.
  • ANSIEDADE: estima-se que ocorra em aproximadamente 30% dos pacientes. Todos os tipos de transtornos de ansiedade foram relatados na DP, embora o transtorno de ansiedade generalizada e a fobia social pareçam ser os mais comuns. O tratamento dependerá de como a ansiedade interfere nas atividades e bem-estar do paciente, e envolve uso de medicamentos antidepressivos.
  • APATIA: a apatia é definida como uma perda de motivação, caracterizada pela diminuição da fala, atividade motora, e expressão emocional, geralmente atribuída à disfunção do lobo frontal e do sistema límbico. O tratamento ainda não está bem estabelecido para esta população. Rotineiramente, alguns medicamentos estimulantes do sistema nervoso central, e antidepressivos são tentados.   

ALTERAÇÕES DO SONO

  • TRANSTORNO COMPORTAMENTAL DO SONO REM: é o sintoma não motor mais específico da doença de Parkinson. Caracterizado pela presença de sonhos vívidos, e presença de movimentos complexos durante o sono REM, fase do sono em que o normal é a atonia/paralisia muscular. Os acometidos podem cair da cama, fazer movimentos bruscos, vocalizar. O tratamento inicia-se com orientações sobre os cuidados necessários no momento de dormir. Deve-se evitar objetos perfuro-cortantes ou contundentes próximo da cama, incluindo a proteção de janelas e o uso de leitos mais baixos. Muitas vezes é necessário tratamento medicamentoso.
  • SONOLÊNCIA EXCESSIVA DIURNA: a sonolência excessiva diurna caracteriza-se por incapacidade de permanecer acordado e alerta durante o periodo da vigília diurna, resultando em períodos irresistíveis de sono. Ocorre em até 50% dos pacientes. As causas são multifatoriais, envolvendo comprometimento das vias sinápticas e dos neurotransmissores (hipocretina, dopamina, acetilcolina e noradrenalina), efeitos dos medicamentos usados no tratamento da DP, ou ainda, dos distúrbios primários do sono, como apneia do sono e insônia. Muitas vezes, a polissonografia contribui para o diagnóstico. O tratamento envolve suspeitar e tratar os distúrbios primários do sono, retirada de medicamentos sedativos, e/ou redução das medicações dopaminérgicas, usadas para a melhora motora da doença. Alguns medicamentos estimulantes do SNC podem ser usados.
  • SÍNDROME DA APNEIA E HIPOPNEIA OBSTRUTIVA DO SONO (SAHOS): a SAHOS caracteriza-se por episódios obstrutivos recorrentes nas vias aéreas superiores, associados a dessaturação de oxigênio, despertares e fragmentação do sono. O diagnóstico é suspeitado em consulta médica, e confirmado com a polissonografia. O tratamento envolve o uso de aparelhos de pressão positiva nas vias aéreas, para as formas moderadas e graves. Medidas de higiene do sono, redução de peso, e restrição de medicamentos sedativos devem ser implementadas.

DISFUNÇÃO COGNITIVA

  • DEMÊNCIA: embora a DP possa coexistir com outras causas comuns de demência, como a doença de Alzheimer e a demência vascular, o comprometimento cognitivo e a demência são cada vez mais reconhecidas como uma característica comum da própria DP. Geralmente ocorre nos estágios finais da doença. É classicamente considerada uma demência subcortical, com lentificação psicomotora, dificuldade de memória e alteração da personalidade. Os déficits no funcionamento executivo (tomada de decisão ou multitarefa), costumam ser os primeiros sintomas manifestados. O tratamento envolve uso de medicamentos, e objetiva controlar os sintomas, não modificando o curso da doença.

SINTOMAS URINÁRIOS

  • O descontrole urinário é um grande problema para muitos pacientes. Os sintomas mais comuns são, vontade de urinar várias vezes durante à noite, e urgência para urinar. É importante abordar como esses sintomas afetam o quotidiano dos pacientes e como os sintomas de bexiga hiperativa podem ser particularmente desagradáveis. Existem medicamentos capazes de controlarem estes sintomas. Em alguns casos, é recomendado avaliação urológica.

SINTOMAS GASTRINTESTINAIS

  • Disfagia (dificuldade para engolir): a maioria dos pacientes não se queixa espontaneamente de dificuldade de deglutição, e individualmente restringe seletivamente a dieta para alimentos pastosos. Engasgos são frequentes, condicionando risco de aspiração. Muitas vezes, a perca de peso se deve adicionalmente à esses sintomas. Além de ajustes medicamentosos, o acompanhamento fonoaudiológico é primordial.
  • Sialorreia (produção excessiva de saliva): pode ser consequência da dificuldade de deglutição. Novamente, a fonoaudiologia tem papel central no tratamento, e adicionalmente, poderá desenvolver um trabalho para fortificar a voz, que nestes pacientes normalmente está enfraquecida. Existem boas opções de tratamento medicamentoso, dentre eles, a aplicação de toxina botulínica.
  • Constipação intestinal: presente em cerca de 80% dos pacientes, é habitualmente o sintoma mais precoce, podendo anteceder as manifestações motoras em até 20 anos. Ocorre devido ao processo neurodegenerativo, e posteriormente, agravado devido ao uso de algumas medicações. O tratamento envolve medidas não farmacológicas, com uma dieta rica em fibras (40 a 70g/dia), aumento da ingesta hídrica, exercícios físicos regulares, e massagens abdominais. Em muitos casos é necessário o uso de laxativos.

SINTOMAS AUTONÔMICOS

  • HIPOTENSÃO ORTOSTÁTICA: é a queda da pressão arterial ao se levantar, podendo preceder ou até mesmo levar à síncope (“desmaio”). É um sintoma muito comum, porém, pouco referido aos médicos. O tratamento envolve a prática regular de exercício físico, e uso de meias de compressão nas pernas. Se orientação médica, pode-se aumentar ingesta de sal e água, e programar a suspensão de possíveis medicamentos que podem estar contribuindo para o problema. Se mesmo assim os sintomas persistirem, medicamentos específicos podem ser indicados.

DISFUNÇÕES SENSITIVAS

  • HIPOSMIA (REDUÇÃO DO OLFATO): é o sintoma não motor mais sensível da DP, pois ocorre em até 90% dos acometidos pela doença, e podem estar presentes anos antes dos primeiros sinais motores.
  • DOR: é uma queixa comum nos pacientes com DP, e também pode estar presentes anos antes da fase motora. Porém, ocorre mais comumente na fase em que os sintomas motores estão avançados. A causa é multifatorial. As principais queixas são, dor lombar, cãibras, e dor articular. O tratamento em geral envolve otimização das doses dos medicamentos antiparkinsonianos, e fisioterapia. Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados quando indicados. Um ponto essencial a abordar, é a conhecida e associação entre dor e sintomas depressivos.

OUTROS SINTOMAS NÃO MOTORES:

  • Psicose, fadiga, dermatite seborreica, parestesias

*Esse é um conteúdo de caráter informativo. Qualquer terapia deve ser modificada ou implementada sob a indicação do seu médico

Apoio:
Dr. Filipe Miranda Milagres Araujo

Neurologista especializado em Distúrbios do Movimento pela USP-RP

CRMMG 57153  /  RQE 42850

filipeneuro@usp.br


A importância de reconhecer e tratar os sintomas não motores do Parkinson

Por muitos anos, a doença de Parkinson (DP) foi clinicamente definida como um distúrbio eminentemente motor, se manifestando com lentidão e redução da amplitude dos movimentos, tremor de repouso, e rigidez muscular. Ao longo do tempo, esse tradicional conceito teve alterações significativas, e hoje, a DP é amplamente reconhecida como um distúrbio complexo com diversas características clínicas.            

Entende-se por sintomas não motores, uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e clínicos, reconhecidos como sendo próprios da doença, que se tornam cada vez mais presentes com a progressão da DP. A interferência dos sintomas não motores na qualidade de vida é tão relevante quanto o comprometimento motor e, em muitas vezes, incapacitantes.

Apesar do conhecimento atual sobre a DP ter sido melhor delineado somente nas últimas décadas, a descrição da doença por James Parkinson, há 203 anos, já mencionava sintomas não motores, como constipação intestinal, sialorreia (produção excessiva de saliva), disfunção do sistema urinário, e distúrbios do sono. O neurologista e psiquiatra francês Jean Martin Charcot, descreveu ainda no século XIX, sintomas como prostração, fadiga e alterações da memória, presentes na DP. Vários outros estudiosos como Gowers W, Oppenheim H, e Braak H, contribuíram para um maior entendimento dos sintomas não motores, e hoje, já está bem estabelecido que a causa desses sintomas está diretamente relacionada ao processo degenerativo próprio da DP, aos medicamentos utilizados para o tratamento, e às reações emocionais frente à doença crônica.

Os principais sintomas não motores relacionados à doença de Parkinson são, a redução ou perda do olfato, o transtorno comportamental do sono REM, a depressão, e a constipação intestinal. Admite-se atualmente que esses sintomas podem estar presentes anos a décadas antes das dificuldades motoras. Porém, a constelação de sintomas não motores reconhecidos como próprios da DP envolve uma extensa variedade de outros sintomas, embora isso não signifique que todos os indivíduos portadores da doença irão manifestar todos estes problemas.

Apesar desse novo entendimento da DP, a abordagem multissistêmica ainda é difícil para muitos médicos, permanecendo variavelmente sub-reconhecida e sub-tratada. Esse problema é agravado pelo fato de que a maioria dos pacientes não referem espontaneamente tais sintomas, enquanto em muitos casos, o que mais incomoda e interfere nas atividades de vida diária dos parkinsonianos são os sintomas não motores. Para cada sintoma não motor existem formas de manejo e tratamento, no qual o envoltório médico-paciente-cuidador deve estar inteirado, objetivando alcançar a melhor terapêutica, individualizando cada caso. Idealmente, é aconselhado uma abordagem multidisciplinar, envolvendo cuidados de fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, e terapia ocupacional.  Nas últimas décadas, foram desenvolvidos questionários simples e objetivos para triagem dos sintomas não motores, que podem ser preenchidos antes da consulta médica e facilitar o reconhecimento destes sintomas.

*Esse é um conteúdo de caráter informativo. Qualquer terapia deve ser modificada ou implementada sob a indicação do seu médico

Apoio:
Dr. Filipe Miranda Milagres Araujo

Neurologista especializado em Distúrbios do Movimento pela USP-RP

CRMMG 57153  /  RQE 42850

filipeneuro@usp.br


Cientistas conseguem reverter sintomas do Parkinson em Ratos

Cientistas conseguiram reverter os sintomas do Parkinson em ratos ao modificar os astrócitos, um tipo de célula abundante no cérebro para fazê-los se comportar como neurônios. A conversão permitiu restaurar a produção de dopamina nos animais.

Os astrócitos existem no cérebro em quantidade muito maior do que os neurônios. Eles exercem funções vitais para o funcionamento dos neurônios, como a transferência de nutrientes e a proteção contra substâncias danosas.

Os pesquisadores usaram uma técnica de edição genética para inibir uma proteína chamada PTB nos astrócitos A ausência dessa proteína permite que o astrócitos se converta em uma célula produtora de dopamina, como os neurônios.

Os ratos geneticamente modificados usados no experimento não tinham a doença, mas passaram por reações químicas que criaram neles uma condição parecida com a de humanos com Parkinson, a morte de neurônios em uma região do cérebro chamada substância negra.

A falta dos neurônios na área levou à queda na produção da dopamina, um neurotransmissor que desencadeia impulsos nervosos pelo corpo. Assim, sintomas característicos da doença como problemas motores também aparecem nos animais.

De acordo com os resultados publicados nesta semana na revista Nature, um dos periódicos científicos mais prestigiosos do mundo, as células convertidas passaram a ter função semelhante à dos neurônios perdidos pela Doença de Parkinson, e o comportamento motor dos animais foi restaurado.

O artigo mostra um avanço, mas temos um longo caminho pela frente. De qualquer forma,  cada nova descoberta e cada novo avanço no tratamento da doença de Parkinson merecem uma comemoração.

Por enquanto a cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS) ainda é um dos tratamentos mais eficientes para o Parkinson, porém ela não é indicada para todos, somente um médico especialista em Distúrbios de Movimento vai poder dizer o tratamento mais adequado avaliando o perfil de cada paciente.

Apoio:
DR. MURILO MARINHO
NEUROCIRURGIÃO | CRM 120746
Acesse para saber mais: https://www.instagram.com/clinica.centenomarinho/

Sintomas motores e não motores do Parkinson – Dr. Adroaldo Baseggio Mallmann

O Parkinson, apesar de ser uma patologia conhecida pelo tremor, também pode ocasionar sintomas como depressão, perda de olfato e alterações importantes no sono. O neurocirurgião explica os sintomas da condição e esclarece a respeito dos tratamentos disponíveis. Acompanhe as dicas do profissional e não deixe de buscar ajuda de um especialista em distúrbios do movimento.

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Dotores fazendo cirurgía de Parkinson

Doença de Parkinson – Sou candidato para a cirurgia de estimulação cerebral profunda?

A cirurgia de estimulação cerebral profunda envolve a implantação de eletrodos em diferentes estruturas do cérebro. Estes estão conectados a um estimulador que é colocado sob a pele no peito do paciente. O sistema é programado com controle remoto, conseguindo transmitir sinais elétricos de maneira controlada, cujo objetivo é modificar a atividade neuronal em diferentes regiões e circuitos cerebrais, controlando os sinais e sintomas da doença.

Uma de suas principais indicações é a doença de Parkinson. O paciente deve ser cuidadosamente avaliado por uma equipe multidisciplinar para determinar se a cirurgia é a melhor opção e, assim, garantir o melhor resultado.

A cirurgia de estimulação cerebral profunda em pacientes com doença de Parkinson melhora os sintomas motores (movimentos), sua qualidade de vida e reduz os efeitos adversos da medicação.

Como saber se um paciente com doença de Parkinson é candidato à cirurgia?

Durante os primeiros anos da doença, os pacientes geralmente conseguem um bom controle de seus sintomas com medicamentos. Com o tempo, apesar do tratamento ideal, a progressão dos sintomas geralmente afeta o funcionamento normal e a qualidade de vida. Além disso, os efeitos adversos a longo prazo dos medicamentos podem produzir maior incapacidade, sendo as mais frequentes flutuações motoras (quando os sintomas da doença reaparecem antes de receber a próxima dose do medicamento) e discinesias: movimentos anormais rápidos, involuntários e diferentes de tremor.

Nesses pacientes, a cirurgia de estimulação cerebral profunda pode ser uma opção, oferecendo um bom controle dos sintomas da doença, em alguns casos reduzindo a dose da medicação e seus efeitos adversos.

Para determinar se o paciente é candidato à cirurgia, os pontos abaixo devem ser avaliados:

1. Diagnóstico da doença de Parkinson clássica: outras doenças como paralisia supranuclear progressiva, atrofia de múltiplos sistemas e demência do corpo de Lewy devem ser descartadas. Essas doenças podem apresentar sintomas semelhantes à doença de Parkinson, mas nesses casos a cirurgia é contraindicada. A apresentação clínica, sua evolução ao longo do tempo, a resposta à medicação e a ausência de outros sinais e sintomas ajudarão no diagnóstico.

2. Resposta à medicação: a Levodopa é um dos pilares no tratamento da doença de Parkinson. Para considerar um paciente candidato à cirurgia, os sinais e sintomas da doença devem melhorar com a Levodopa. Essa resposta geralmente prediz o benefício que poderia ser obtido com a cirurgia, mas de maneira estável e sem os efeitos adversos da medicação.

3. Avaliação neuropsicológica: deve-se descartar a presença de déficit cognitivo, uma vez que a demência é a principal contraindicação cirúrgica. Qualquer alteração no humor deve ser tratada e controlada previamente.

4. Espectro clínico da doença de Parkinson: nem todos os sinais e sintomas da doença respondem igualmente à estimulação. O tremor, a rigidez e a lentidão do movimento é onde a melhor resposta é obtida. Por outro lado, marcha congelada, dificuldade em falar, problemas de equilíbrio e múltiplas quedas que não respondem ao tratamento medicamentoso, geralmente não melhoram com a cirurgia.

5. Ressonância magnética nuclear: visa identificar alterações estruturais do cérebro, a existência de atrofia e a anatomia dos núcleos onde os eletrodos serão implantados.

6. Idade: a idade avançada não é uma contraindicação absoluta, mas problemas cognitivos, atrofia cerebral e doenças concomitantes são mais frequentes nesses pacientes, o que pode contraindicar a cirurgia.

A decisão de proceder à cirurgia deve ser tomada por uma equipe multidisciplinar composta por neurologista, neuropsicólogo, psiquiatra e neurocirurgião com experiência nesta terapia.

Referências bibliográficas:

1. Deuschl G., Schade-Brittinger C., Krack P. et ai. Um estudo randomizado de estimulação cerebral profunda para a doença de Parkinson. New Engl J Med 2006; 355 (9): 896-908.

2. Weaver F., Follett K, Stern M, et al. Estimulação cerebral profunda bilateral vs. melhor terapia médica para pacientes com doença de Parkinson avançada: um estudo controlado randomizado. JAMA 2009; 301 (1): 63-73.

3. Williams A, Gill S, Varma T, et al. Estimulação cerebral profunda, além da melhor terapia médica versus a melhor terapia médica sozinha para a doença de Parkinson avançada (estudo PDSURG): um estudo randomizado e aberto. Lancet 2010; 9 (6): 581-591.

4. Israel Z, Hassin-Baer S. Estimulação subtalâmica para a doença de Parkinson. Isr Med Assoc J 2005; 7 (7): 458-463.

APOIO:
Fernando Ramirez de Noriega
Neurocirurgião Funcional, na Clínica Delgado, Lima – Peru

Parkinson – Quando a medicação não faz mais o mesmo efeito

A levodopa é a principal medicação usada para substituir a dopamina no cérebro em pacientes com Parkinson. Hoje sabemos que cerca de metade dos pacientes, após quatro a cinco anos de tratamento com a medicação, vai apresentar flutuações de sintomas, pois a medicação deixa de funcionar com tanta eficácia. O paciente se sente melhor ao tomar a medicação, porém antes do horário determinado para a próxima dose os sintomas voltam (rigidez muscular, lentidão de movimentos e tremores). Com o passar do tempo, o efeito da levodopa fica cada vez menor.

Várias medidas podem ser tomadas para resolver o problema das flutuações, alguns médicos realizam ajustes nas doses da levodopa e em alguns casos uma segunda medicação pode ser adicionada ao tratamento. O paciente também deve ingerir a levodopa fora das refeições, uma vez que as proteínas podem interferir na absorção da medicação. Por fim, a cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS) tem se mostrado útil para muitos pacientes.

É importante lembrar que o tratamento da doença de Parkinson é feito sob medida para cada paciente e se baseia em uma combinação de medicamentos, reabilitação e cirurgia que depende inteiramente de como os sintomas se desenvolvem.

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